domingo, 31 de janeiro de 2010

Fôlego



Janeiro passou tão rapidamente, e aconteceu tanta coisa. Foi um mês muito estranho. Aliás, janeiro é sempre estranho. Particularmente para mim.


Primeiro, é o mês do meu aniversário. E eu tento identificar a origem disto: odeio aniversário. Numa proporção maior do que a preguiça com o Natal. No fundo, eu tenho um pouco de medo do esquecimento. E, claro, do tempo que não dá trégua.


Segundo, é um mês fora do ritmo pra todo mundo. Parece que está todo mundo de férias. Eu fico injuriado com isso: que classe média é essa que consegue parar janeiro inteiro? E eu lá, trabalhando muito, sempre.


Neste mês de janeiro, foi um pouco diferente. Eu estava meio de férias, mas não era como todo mundo. Meio de férias no sentido literal, mesmo. Não parei, tirei os 15 dias que restavam por motivos profissionais. E o mundo desabou enquanto estive ausente. E me falta por isso o tesão, aquele tesão que movimenta o mundo. Pelo menos o meu mundo particular.


Eu tenho sempre a sensação de que está tudo muito errado. Tudo fora dos eixos. Tudo movido por uma lógica imbecil, em todos os sentidos. E janeiro reforça isso, com essa cara de "puxadinho" de ano velho.


O que eu havia planejado para janeiro, eu fiz. E esta é a parte boa. Tudo arrumadinho, faltando só o tesão, mas este eu sei que recupero. Eu acho.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Janeiro

Estranho. Os meus sonos andam estranhos. Minha cabeça dói, minha garganta arranha. Ando irritado, apressado, estranho. Sinto uns nervosismos terríveis.
E isso é bom. Incrível.
Até a volta.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

10


Aconteceu tanta coisa em 2009 que o ano conseguiu ser tão bom quanto 2008. Eu me lembro que morria de medo de 2009, por tudo que tinha acontecido no ano anterior. Mas deu tudo certo demais.


E as coisas "aconteceram", mesmo, não necessariamente de forma inesperada, mas de forma surpreendente. Quando eu imaginava, antes de agosto, que eu iria para a Alemanha e, antes de 20 de setembro, para a Holanda e para a Bélgica? Nunca.


A graça da vida é exatamente essa: um pouco de surpresa, um tantão de frio na barriga que quase te enlouquece. Aquele super plano não deu certo ainda, mas tive uma notícia em dezembro, pouco antes do Natal, que me encheu de esperança, depois de algumas desesperanças. Se for pensar bem, nem desesperanças foram, diante das andanças todas.


Eu viajei demais neste ano. Fui diversas vezes para o Rio, para São Paulo, para Brasília, estive no Nordeste, conheci Porto Alegre e Curitiba, fui para a Chapada, pra Pirenópolis, pro Fica.


Foi um bom ano no jornal. De mais maturidade nas reportagens, mais confiança e reconhecimento. Rendeu um livro este ano. Falta o meu menino, agora.


Como minha memória é um pouco curta, estou esquecendo de um monte de coisa. Eu sei que já tenho duas viagens em plano, uma em janeiro e outra em fevereiro. E assim vai começar 2010. O ano que vai ser decisivo para os próximos anos da minha vida.


Obrigado, Deus, por tanta felicidade.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mimo


Sem que isso pareça paga-pau demais, e sem entrar no mérito da sinceridade do gesto, o encontro de Lula com os catadores de papel nos fins de ano é, para mim, emocionante. O presidente decide se encontrar com uma das categorias profissionais mais marginalizadas, por um lado, e importantes, por outro.


São os catadores os principais – e únicos na maioria das cidades – responsáveis pela reciclagem do lixo no Brasil. A função ambiental que desempenham é incalculável, quando se vive o colapso da destinação de resíduos. É uma categoria extremamente pobre, mas impressionantemente organizada. A confraternização com o presidente é uma mostra da força. A presença de Lula representa mais do que isso: é a confirmação ultra simbólica da representatividade dos catadores.


Aqui, em Goiânia, os gestos do poder público são altamente imbecis. Culpa de gestores abitolados, mimados, despreparados para a função. Com seis capengas cooperativas criadas, a prefeitura começou a retirar os 3 mil catadores das ruas, com argumentação baseada no Código de Trânsito Brasileiro. Apreendeu carrinhos, confrontou os trabalhadores, prometeu cooperativas estruturadas (uma mentira tenebrosa), declarou guerra aos catadores na implantação do (fajuto) programa de coleta seletiva na capital.


Não tenho ideia de como vai terminar esta história. Acho que a prefeitura recua. Basta ver as cartas de leitores enviadas ao jornal, logo após a publicação da reportagem sobre a apreensão dos carrinhos. A população é simpática aos catadores, porque eles fazem o que nós não queremos fazer. Extraem renda deste gesto. Geram renda e alimentam uma cadeia produtiva altamente lucrativa.


Se não recuar, esses gestores mimados vão continuar "bons moços" na frente das câmeras e esperneando por trás. Os catadores estão integrados ao nosso cenário urbano. É preciso lhes dar condições de igualdade. Esperneiem ou não os mimados todos.
A foto foi retirada do www.estadao.com.br.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Rubiataba, que saudade. Faz 11 anos que saí. Onze anos em Goiânia. E quanta saudade.


Lembro direitinho de tudo: do Pedro Álvares de Moura, do Cersa, da fanfarra, do teatro, dos jogos, do Farid, do Surred, das feiras de ciências, das viagens, da pedrona, do Dodô, do Adeone e do Corró.


Lembro do Tiago, meu primo mais do que querido. Lembro da igreja, do altar, do futebol, do basquete, da queimada, da Roberta. Lembro da Tati, da Susana, que me chamava – a única no mundo – de Neisin.


A minha avó, o meu avô. A casa dos meus avós. Os "brimas" todos. A comida, o armazém, a minha mãe. A verdade toda da minha mãe. As palavras inteiras da minha mãe. Os choros, os sorrisos, as festas, as esquinas, os beijos, o meu primo mais do que infalível: o Farid.


O vôlei de areia, que saudade! Jogar com o Surred, perder quase sempre com o Surred, ganhar com o Surred! Impagável, os reis da... praia! Em Rubiataba, no interior de Goiás, sem uma única gota salgada!


Aquela câmera parecia planejada, filmando tudo. Pegando a Alice princesíssima, o meu pai com cabelos, o Sessin tímido, eu exibido, mas com uma risada de canto de boca e uma feição que parecia entregar toda a melancolia que guardo dentro de mim.


O clube, a piscina, imitar o Chaves, brigar pra jogar na areia. Ir pro bete, vencer o campeonato. Jogar bete todo dia. Participar do torneio em frente à feira. A feira. Meu Deus, que saudade.


As redações, a bicicleta, a loja, os projetos de ciências e de teatro, o Setor Bela Vista, a Aroeira, a praça da igreja, o posto de gasolina. A casa. Aquela casa, quando se foi, parecia mentira. Uma inverdade, uma injustiça, que indignação eu senti. Parecia que ia junto muita coisa. Uma avalanche rápida.


E aí eu cheguei aqui, e aí se passaram os anos e estou exatamente aqui. Longe de Rubiataba, de tudo que eu vivi. Longe desse encadeamento de fatos. Sem muita ordem cronológica, a não ser pelo fim, o dia da mudança. Era só o começo. Era outra coisa, outro departamento, outra história.


Mais dez anos e eu repito sempre pra mim: quero continuar lembrando direitinho de tudo. Tudo vivo e latente em minha mente. Será que eu não vou ser traído pelas lembranças? Traído pelo tempo, mesmo?


Porque não há uma visita, um reencontro, que me faça rememorar tudo isso. Somente a minha mente e a atual organização dos pensamentos fazem reviver tanta coisa. Passou, não volta, basta olhar à minha volta.


A saudade não é tão ruim assim. Mas é preciso mastigar a árvore que foi retirada sem que soubessem o valor sentimental que ela carregava. A morte mais estúpida até agora. A pouca inocência que virou distância. A indignação que virou rancor.


Sinto saudades. Do tempo mais rápido que já transcorri. Voou. E agora estou aqui. Passaram-se os anos. Exatamente aqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

Qual é o seu lugar?


-- Neste mês eu ainda vou dar um pulo em Brasília, no Rio e em São Paulo. Com um monte de papel na bagagem, que, claro, não é só papel;


-- Em dezembro, eu vou receber notícias da Europa, e acho isso tão excitante como se estivesse lá. Mentira, é um pouco menos excitante;


-- Eu preciso ir a Rubiataba. Minha avó já me ligou duas vezes, em duas semanas, e isso é bem incomum. Eu vou a Rubiataba;


-- Goiânia é muito, muito bom. Mas o melhor é, indiscutivelmente, o goianiense. Povo bão;


-- Eu queria, na primeira semana de dezembro, sumir pra Chapada. Ficar lá uma sexta, um sábado e um domingo, quietinho, fazendo o que há de melhor na vida;


-- Eu vou escrever sobre Rubiataba no próximo post. Saudades da década de 90.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desejo


Oxalá me passe a dor de cabeça, oxalá
Oxalá o passo não esmoreça;

Oxalá o carnaval aconteça, oxalá
Oxalá o povo nunca se esqueça;

Oxalá eu não ande sem cuidado
Oxalá eu não passe um mal bocado
Oxalá eu não faça tudo à pressa
Oxalá meu futuro aconteça;

Oxalá que a vida me corra bem, oxalá
Oxalá que a tua vida também;

Oxalá o tempo passe, hora a hora
Oxalá que ninguém se vá embora
Oxalá se aproxime o carnaval
Oxalá tudo corra, menos mal

Madredeus