
Rubiataba, que saudade. Faz 11 anos que saí. Onze anos em Goiânia. E quanta saudade.
Lembro direitinho de tudo: do Pedro Álvares de Moura, do Cersa, da fanfarra, do teatro, dos jogos, do Farid, do Surred, das feiras de ciências, das viagens, da pedrona, do Dodô, do Adeone e do Corró.
Lembro do Tiago, meu primo mais do que querido. Lembro da igreja, do altar, do futebol, do basquete, da queimada, da Roberta. Lembro da Tati, da Susana, que me chamava – a única no mundo – de Neisin.
A minha avó, o meu avô. A casa dos meus avós. Os "brimas" todos. A comida, o armazém, a minha mãe. A verdade toda da minha mãe. As palavras inteiras da minha mãe. Os choros, os sorrisos, as festas, as esquinas, os beijos, o meu primo mais do que infalível: o Farid.
O vôlei de areia, que saudade! Jogar com o Surred, perder quase sempre com o Surred, ganhar com o Surred! Impagável, os reis da... praia! Em Rubiataba, no interior de Goiás, sem uma única gota salgada!
Aquela câmera parecia planejada, filmando tudo. Pegando a Alice princesíssima, o meu pai com cabelos, o Sessin tímido, eu exibido, mas com uma risada de canto de boca e uma feição que parecia entregar toda a melancolia que guardo dentro de mim.
O clube, a piscina, imitar o Chaves, brigar pra jogar na areia. Ir pro bete, vencer o campeonato. Jogar bete todo dia. Participar do torneio em frente à feira. A feira. Meu Deus, que saudade.
As redações, a bicicleta, a loja, os projetos de ciências e de teatro, o Setor Bela Vista, a Aroeira, a praça da igreja, o posto de gasolina. A casa. Aquela casa, quando se foi, parecia mentira. Uma inverdade, uma injustiça, que indignação eu senti. Parecia que ia junto muita coisa. Uma avalanche rápida.
E aí eu cheguei aqui, e aí se passaram os anos e estou exatamente aqui. Longe de Rubiataba, de tudo que eu vivi. Longe desse encadeamento de fatos. Sem muita ordem cronológica, a não ser pelo fim, o dia da mudança. Era só o começo. Era outra coisa, outro departamento, outra história.
Mais dez anos e eu repito sempre pra mim: quero continuar lembrando direitinho de tudo. Tudo vivo e latente em minha mente. Será que eu não vou ser traído pelas lembranças? Traído pelo tempo, mesmo?
Porque não há uma visita, um reencontro, que me faça rememorar tudo isso. Somente a minha mente e a atual organização dos pensamentos fazem reviver tanta coisa. Passou, não volta, basta olhar à minha volta.
A saudade não é tão ruim assim. Mas é preciso mastigar a árvore que foi retirada sem que soubessem o valor sentimental que ela carregava. A morte mais estúpida até agora. A pouca inocência que virou distância. A indignação que virou rancor.
Sinto saudades. Do tempo mais rápido que já transcorri. Voou. E agora estou aqui. Passaram-se os anos. Exatamente aqui.